Uma das maiores atrizes do Brasil, Vera Holtz retorna a Fortaleza com nova temporada do espetáculo Ficções. Sucesso de crítica e público, peça explora a história da humanidade com histórias inventadas, provocando riso e choro no espectador. Ao Tapis Rouge a atriz divide suas reflexões sobre a produção
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
Da sexta-feira, 4, ao domingo, 6, a capital cearense fará coro aos mais de 130 mil espectadores que assistiram ao espetáculo “Ficções”, estrelado pela prestigiada atriz Vera Holtz. Desta vez, a turnê da peça, que já realizou temporada na cidade alencarina em 2024, desembarca no icônico palco do Theatro José de Alencar. Inspirado no best-seller “Sapiens – uma breve história da humanidade”, do filósofo Yuval Noah Harari, a obra já foi apresentada mais de 300 vezes por todo o território nacional. Idealizada e produzida por Felipe Heráclito Lima e escrita e encenada por Rodrigo Portella, “Ficções” acumula mais de 22 indicações a prêmios de teatro.
Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, Vera salienta o desdobramento retirado da obra de Harari que norteia Ficções. “O livro [Sapiens] foi lançado com muito sucesso por causa dessas reflexões sobre as narrativas, as crenças e as ficções. A peça trata exatamente disso. (…) o recorte que foi feito pelo nosso diretor e adaptador, Rodrigo Portella, fala das narrativas, das ficções e dessa extraordinária capacidade que o homem tem de inventar histórias, acreditar nelas e acreditar coletivamente”, pontua.
Narrativa

A divertida jornada da espécie humana é apresentada ao público no espetáculo por meio de diferentes personagens fictícios, que ganham vida através do trabalho cênico da atriz veterana. Em cena, a artista canta, improvisa, brinca e simula um diálogo com o autor israelense, Hanari. A música também envolve o espectador na peça. Holtz e o multi-instrumentista italiano Federico Puppi provocam a plateia a refletir sobre a evolução das histórias humanas, instigando sensações distintas, indo da gargalhada às lágrimas.
“A peça não dá respostas, ela levanta questões, levanta perguntas, ela questiona. Através desse questionamento, você convida o espectador a traçar a sua própria dramaturgia dentro do que está sendo exposto no palco, que é realmente um espaço do imaginário. Então, todos eles são convidados a ficar e todos nós ficamos juntos, refletindo nas nossas dúvidas com relação às questões da humanidade”, reflete a atriz.
Impacto
Vencedora do prêmio Shell e Prêmio APTR de Melhor Atriz pelo espetáculo, a artista paulistana revela que a peça não toca apenas o público, mas reverbera na sua paixão pelo fazer artístico. “Eu acho que a peça traz de volta o prazer de estar no palco. A alegria de representar… o encontro com o público. O teatro nos coloca nesse lugar do viver aqui e agora. Teatro não tem retorno. Começou, você vai. O espetáculo só termina nos aplausos. (…) alegria de estar aqui podendo conviver coletivamente”, comenta.
Protagonizando a peça há quase três anos, Vera também discorre sobre o impacto da narrativa retratada nos palcos para a vida pessoal. “Foi uma mudança, inclusive, na percepção da vida. Porque todo dia eu falo dessas questões da humanidade. Então, a gente começa a buscar outra forma de se comportar no mundo. Estudar um pouquinho mais as questões do homem. Não tem como você não expandir depois de assistir à peça ou conviver com ela durante tanto tempo”, analisa.
A artista finaliza compartilhando sua visão sobre a experiência que o público pode ter ao assistir à produção. “O público vai seguir um pouco mais próximo dele mesmo e dos seus semelhantes. Ter cada vez mais consciência de que nós somos… no caso da nossa peça, nós falamos que nós somos descendentes de animais. E que inventamos narrativas para justificar e explicar nossa soberania de alguma forma. Eu acho que você vai refletir um pouco sobre a história da humanidade e essas narrativas hoje no mundo em que nós estamos vivendo”, conclui.
serviço
Espetáculo “Ficções”
Theatro José de Alencar – R. Liberato Barroso, 525 – Centro
Dias 4, 5 e 6 de abril
Sexta e sábado às 20h e domingo às 18h
Ingressos entre R$ 21 a R$ 200
Vendas pelo Sympla, na bilheteria online do Theatro ou presencialmente